Toda vez que publico um artigo ou subo um anúncio, preciso de imagem. Contratar designer para cada peça não cabe no orçamento de quem está começando, e banco de imagem gratuito entrega aquelas fotos que todo mundo já viu.
Uso o Ideogram para isso. Não porque seja o melhor gerador em qualidade artística, e sim porque resolve bem o problema específico de quem produz material de marketing: imagem com texto legível e variações rápidas da mesma ideia.
Por que ele e não outro
Geradores de imagem historicamente erravam feio ao escrever palavras dentro da imagem. Saía letra torta, palavra inventada, texto sem sentido. O Ideogram foi construído justamente em cima desse problema e é onde ele se diferencia.
Para quem faz capa de ebook, thumbnail e criativo de anúncio, isso muda o fluxo de trabalho. Em vez de gerar a imagem num lugar e escrever o texto em outro, dá para sair com a peça quase pronta.
Outro detalhe que uso muito: cada prompt devolve quatro variações. Isso ajuda quando a ideia ainda não está clara na sua cabeça, porque você escolhe pela reação em vez de tentar descrever perfeitamente de primeira. O modo que melhora o prompt automaticamente também serve para isso, e costumo deixá-lo ligado nas primeiras tentativas e desligado quando já sei exatamente o que quero.
Como descrevo o que quero
Prompt curto entrega imagem genérica. O que funciona melhor comigo é descrever quatro coisas, nessa ordem:
- O que aparece. Os objetos e a cena, de forma concreta. "Mesa de trabalho vista de cima, com caderno aberto e xícara" funciona melhor que "ambiente de produtividade".
- A composição. Onde está o espaço vazio, se é vista de cima, se o objeto principal fica à esquerda. Isso importa quando você vai colocar texto por cima depois.
- O estilo e as cores. Ilustração editorial, fotografia, 3D, e a paleta que combina com a sua marca.
- O que não pode aparecer. Rosto de pessoa, logotipo, marca d'água, texto ilegível.
Esse último item é o que mais me poupa retrabalho. Sem ele, aparece logo inventado no canto da imagem e rosto humano estranho no meio da cena.
Texto dentro da imagem: quando sim, quando não
Para capa de ebook e criativo de anúncio, deixo a IA escrever o texto, porque a peça já sai pronta e o resultado costuma ficar bem integrado ao desenho.
Para capa de artigo do blog, faço o contrário: peço imagem sem nenhum texto. São dois motivos. O primeiro é que a mesma capa aparece em tamanhos diferentes, no blog, no compartilhamento do WhatsApp e no Google Discover, e texto que cabe em um corte some em outro. O segundo é que o título já está na página, logo abaixo da imagem, e repetir a mesma frase em cima da capa só polui.
Quando a IA escreve, confira letra por letra antes de usar. Ainda escapa palavra com letra a mais ou acento no lugar errado, e isso em anúncio pago é dinheiro jogado fora.
O tamanho certo e o teste da miniatura
As capas do blog eu gero em 1200 por 628 pixels, que é o formato que o Google Discover e as redes sociais usam bem. Gerar direto no tamanho certo evita corte estranho depois.
Antes de usar qualquer imagem, faço dois testes rápidos. Reduzo ela ao tamanho de uma miniatura e vejo se ainda dá para entender do que se trata. Depois abro no celular, porque é onde a maioria vai ver.
Imagem que só funciona grande, na tela do computador, não serve. O mesmo vale para capa de ebook, onde a miniatura é praticamente a única versão que o comprador vê antes de decidir.
Criativos de anúncio: variar uma coisa por vez
Para anúncio, gero variações mantendo tudo igual e mudando um elemento só: a cor de fundo, o ângulo, a presença ou não de um objeto. Assim, quando uma peça performa melhor, você tem alguma chance de saber por quê.
Gerar cinco imagens completamente diferentes também funciona para descobrir uma direção, mas aí o aprendizado é sobre estilo, não sobre elemento específico.
Os erros que cometi
Deixar rosto de pessoa na imagem. Rosto gerado por IA tem algo levemente errado que as pessoas percebem sem saber explicar, e isso tira credibilidade da peça.
Usar imagem escura demais. No feed, o anúncio compete com muita coisa, e peça clara com um ponto de cor forte funciona melhor que composição sofisticada e escura.
Aceitar a primeira variação. As quatro opções existem justamente para você comparar. Quase sempre a terceira ou a quarta é melhor que a primeira, que costuma ser a leitura mais óbvia do prompt.
Checklist antes de publicar
- Nenhum texto com erro de letra ou acento
- Nenhum logotipo ou marca d'água inventada
- Nenhum rosto humano gerado
- Tamanho correto para onde a imagem vai
- Legível na miniatura e no celular
- Paleta coerente com as outras peças da marca
Vale lembrar que imagem sustenta a peça, não o conteúdo. Uma capa bonita não salva um artigo raso, do mesmo jeito que nenhuma ferramenta substitui o trabalho de escrever. Ela serve para que alguém pare o dedo, clique e leia o que você escreveu. As outras ferramentas que uso nessa rotina estão na lista que mantenho aqui.



