Este blog não passou por WordPress, tema comprado nem plugin de SEO. Ele foi montado no Lovable, uma ferramenta que gera sites e aplicativos a partir de instruções em texto. Eu descrevo o que quero, a IA escreve o código e publica.

Nas primeiras horas parece mágica. Depois de algumas semanas publicando artigos e preparando o site para o Google AdSense, a impressão fica mais realista: a ferramenta acerta muita coisa sozinha, mas deixou passar erros que só encontrei quando fui conferir o código com calma. Este artigo conta as duas partes.

Por que Lovable em vez de WordPress

Quase todo tutorial sobre blog para AdSense segue o mesmo roteiro: contratar hospedagem, instalar WordPress, escolher um tema, instalar Yoast ou Rank Math e começar a publicar. Funciona, e milhões de sites rodam assim.

Escolhi o Lovable porque já tinha montado nele a página de vendas do meu ebook e sabia como a ferramenta respondia. Também queria controle sobre a estrutura dos artigos: campo de meta description, crédito de imagem, fontes no final, bloco de "Leia também". No WordPress cada uma dessas coisas depende de um plugin. Ali, bastava pedir.

O preço dessa escolha aparece depois. Sem plugin de SEO, ninguém avisa quando algo está errado. Se a IA esquece uma tag, o site continua bonito e funcionando, e o problema fica invisível.

O que veio pronto e funcionou

O blog tem as páginas de política de privacidade, termos de uso, sobre e contato, que são o básico exigido pelo AdSense. A política de privacidade menciona a LGPD e o uso de cookies de publicidade.

O modelo de artigo também ficou bom. Cada post tem título, resumo, categoria, tempo de leitura, capa no tamanho usado pelo Google Discover (1200 por 628 pixels), campo próprio de meta description e uma seção de fontes com links externos.

Um ponto que só percebi depois: o projeto usa renderização no servidor. Quando o robô do Google acessa um artigo, recebe o texto completo já no HTML, sem depender de JavaScript rodando no navegador. Muitos sites feitos com geradores de IA não funcionam assim e acabam com páginas que o buscador enxerga quase vazias. Esse risco eu não corri, mas isso veio do modelo que a ferramenta escolheu, sem nenhum pedido meu.

Os artigos ficam todos num único arquivo de dados dentro do projeto. Não existe painel de administração com botão de "novo post". Para publicar, peço à IA que adicione o artigo ao arquivo com título, resumo, texto e demais campos. Estranha no começo, essa rotina pode cansar quem publica todo dia. Para um artigo a cada dois dias, funciona bem.

Os três erros que passaram despercebidos

Com onze artigos no ar, parei para revisar o código com olhar de SEO. Encontrei três problemas que nenhum aviso tinha mostrado.

1. Sitemap com endereços incompletos

O sitemap é o arquivo que lista as páginas do site para o Google. O meu gerava endereços assim: /blog/nome-do-artigo. Faltava o começo, com o domínio.

A causa era uma linha no código com a URL base vazia e um comentário dizendo para preencher depois. A IA deixou o lembrete e ninguém voltou para cumprir. O Google pede endereços completos no sitemap, então na prática o arquivo não servia para nada.

2. Canonical relativo

A tag canonical diz ao Google qual é o endereço oficial de uma página. Ela existia, mas também sem o domínio. Enquanto o blog vive num único endereço, isso quase não pesa. O problema aparece quando você conecta um domínio próprio: o site passa a responder em dois lugares, o subdomínio do Lovable e o seu domínio, e a canonical completa evita que o Google trate as duas versões como conteúdo duplicado.

3. Capa invisível para o Google e para as redes

As capas estavam no tamanho certo para o Discover, mas faltava a tag que informa essa imagem aos buscadores e às redes sociais, a og:image. Sem ela, um artigo compartilhado no WhatsApp ou no Facebook tende a aparecer sem imagem. Todo o cuidado com as capas estava sendo desperdiçado.

Como corrigi

A correção foi, de novo, um pedido em texto. Criei uma constante única com o endereço do site e pedi que ela fosse usada em todos os lugares que precisam de URL completa: sitemap, canonical, og:image e dados estruturados. Aproveitei para gerar o robots.txt com a linha que aponta para o sitemap e para criar um campo de título curto para busca, porque alguns títulos passavam de 70 caracteres e ficavam cortados no resultado do Google.

Na mesma rodada pedi links internos dentro do texto. Até então os artigos só se conectavam pelo bloco de sugestões no rodapé. Agora, quando um texto menciona as taxas das plataformas, o leitor vai direto para o artigo que detalha o assunto.

A lição mais útil foi sobre o formato do pedido. Instruções vagas como "melhore o SEO" geram mudanças genéricas e às vezes mexem no que não devia. O que funcionou foi listar item por item, dizer exatamente o que não podia ser alterado (layout, design, texto dos artigos) e pedir, no final, a lista de arquivos modificados. Assim consigo conferir o que mudou antes de colocar no ar.

E no Lovable as alterações ficam no editor até você clicar em publicar. Dá para revisar tudo com calma antes.

O que a ferramenta não resolve sozinha

Mudança de endereço pede cuidado. Quando troquei o subdomínio da página de vendas do ebook, o endereço antigo simplesmente parou de funcionar, sem redirecionamento automático. Qualquer link antigo que eu tivesse divulgado passou a dar erro. Se precisar mudar a URL de um artigo, peça explicitamente o redirecionamento 301. Fiz isso quando renomeei um artigo aqui do blog, e o endereço antigo leva para o novo.

Domínio próprio também depende de você. O AdSense não aprova sites hospedados em subdomínio de plataforma, então quem quer monetizar precisa registrar um domínio. No Lovable, conectar domínio personalizado exige plano pago, e depois ainda é preciso configurar o Search Console para o endereço novo e reenviar o sitemap.

Nada disso substitui o conteúdo. A ferramenta monta a estrutura, mas o texto que responde bem à busca de alguém continua sendo trabalho de quem escreve. Uso IA como apoio, do jeito que explico no guia sobre escrever com ChatGPT, e cada texto passa por revisão, checagem de números e fontes antes de ir ao ar.

Vale a pena para quem está começando?

Depende do quanto você quer controlar. Se prefere seguir um caminho com milhares de tutoriais e plugins que avisam quando algo está errado, o WordPress continua sendo a escolha mais segura. Se gosta de descrever o que quer e ver pronto, e aceita revisar o código de vez em quando, o Lovable entrega um site rápido e bem estruturado com pouco esforço. As outras ferramentas que uso no dia a dia estão na lista de ferramentas de IA.

Se for pelo Lovable, reserve uma tarde para conferir cinco coisas antes de pensar em AdSense:

  1. Abra /sitemap.xml e veja se os endereços começam com https://
  2. Abra o código-fonte de um artigo e procure a tag canonical com o endereço completo
  3. Confira se existe og:image apontando para a capa
  4. Teste um artigo na Inspeção de URL do Google Search Console e veja se o texto aparece no HTML renderizado
  5. Verifique se as páginas de privacidade, termos, sobre e contato estão no ar e com dados reais

Foram essas conferências que transformaram um site bonito num site que o Google consegue ler direito.